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terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Pedagogia e psicanálise não devem se misturar

Segundo a pscicanalista Melanie Klein, práticas devem ser guiadas por profissionais diferentes.

A discussão a respeito da posição de quem trata crianças – se é educador ou analista – existe desde os primórdios da psicanálise, causando debates teóricos acalorados. Melanie Klein (1882-1960) teve um posicionamento radicalmente contrário à ideia de “comunhão” entre psicanálise da criança e educação. Acreditava que a análise de crianças não diferia em quase nada da análise de adultos. Buscava eliminar qualquer intervenção pedagógica de seus atendimentos. Considerava que psicanálise e educação eram processos absolutamente distintos, que deviam coexistir, mas orientados por pessoas diferentes.
Em sua primeira comunicação pública, na Conferência da Sociedade Húngara de Psicanálise, em 1919, Melanie Klein apresentou o trabalho “Influência do esclarecimento sexual e o afrouxamento da autoridade no desenvolvimento intelectual das crianças” como tentativa de substituir a “educação tradicional” de Fritz, 5 anos (seu primeiro caso, que na realidade era seu filho Erich), por uma “educação psicanalítica”. Criticou a educação tradicional por diminuir a inteligência e a capacidade criadora das crianças. Também dizia que esse tipo de educação impunha a ideia de Deus e a repressão sexual, envolvendo a sexualidade infantil nos “véus do segredo, da falsidade e do perigo” e cobrindo-a de mistério.
No começo de 1924, apresentou uma comunicação altamente controvertida sobre a psicanálise de crianças pequenas, na qual começava a questionar certos aspectos do complexo de Édipo, ideia desenvolvida por Freud. Em 17 de dezembro do mesmo ano, Melanie Klein foi a Viena para fazer uma comunicação sobre a psicanálise de crianças e, nessa ocasião, confrontou-se diretamente com Anna, filha de Freud. O debate estava então aberto, e trataria do que deveria ser a psicanálise de crianças: uma forma nova e aperfeiçoada de pedagogia (posição defendida por Anna Freud) ou a oportunidade de uma exploração psicanalítica do funcionamento psíquico desde o nascimento (como queria Melanie Klein).
Mudando-se para Londres, Melanie experimentou suas teorias, tratando dos filhos perturbados de alguns de seus colegas. Sua personalidade invasiva provocou à sua volta paixões e repulsas. Em março de 1927, Anna Freud fez uma comunicação ao grupo berlinense, que constituiu um verdadeiro ataque às teses kleinianas. Houve críticas a Anna, e Freud irritou-se. A discordância entre ambas não parava de crescer: Anna circunscrevia a análise de crianças apenas como extensão do mal-estar de seus pais, enquanto Melanie via a criança de forma autônoma, tanto em sua demanda quanto em seu tratamento.

Construções e transformações

Para Klein, durante a análise de uma criança, devia-se explorar a relação desta com seus pais em profundidade, sendo desnecessário e mesmo incompatível que o analista exercesse qualquer influência educativa. Encarava o papel dos pais da “realidade” de forma bastante diferente dos pais internalizados pela criança, postulando que as imagens destes, mesmo em crianças pequenas, já sofreram distorções e transformações.
A base técnica de Melanie Klein era a mesma utilizada com adultos: a criança podia expressar-se associando os assuntos e as palavras livremente. Para sustentar a posição do analista, Klein defendia que sua função deveria se afastar das tarefas do educador que, muitas vezes, se ocupava em proibir e tolher, enquanto a do analista deveria concentrar-se em permitir e liberar certos comportamentos, sobretudo por meio dos jogos e das brincadeiras.
Klein afirmava que era preciso educar as crianças com o mínimo de repressão de sua sexualidade e protegê-las dos “perigos da ignorância” por meio do esclarecimento. Assim é a educação que ela buscava realizar com Fritz (Erich, seu filho): uma educação baseada sobre a “franqueza irrestrita”, capaz de liberar e satisfazer sua curiosidade, agindo contra a repressão e a inibição de sua capacidade intelectual. Suas perguntas sobre o nascimento das crianças eram respondidas com absoluta veracidade e, quando necessário, numa base científica apropriada ao seu desenvolvimento, mas tão breve quanto possível.
Nesse primeiro momento, em 1919, a educação psicanalítica deveria combater ainda a onipotência em todas as suas frentes: a ideia de Deus, os contos, as fantasias e tudo o que manifestasse a “megalomania incurável do ser humano” – pesada ameaça que pairava sobre o pensamento e que, segundo ela, punha em risco o desenvolvimento intelectual e a aprendizagem.
Já em 1921, no desenvolvimento do caso Fritz-Erich, a proposta de perseguir as fantasias em nome da liberdade de expressão sofreu uma transformação: o objetivo da “educação psicanalítica” passou a ser a “liberação da fantasia”. Essa relação educativa e psicoterápica de Melanie Klein com Fritz-Erich marcou a origem da técnica kleinista da psicanálise das crianças por meio do brincar.

Poderosa chefe de escola

Diversamente do annafreudismo, o kleinismo não foi simples corrente. Constituiu-se como um sistema de pensamento a partir de um mestre (no caso, uma mulher) que modificou inteiramente a doutrina e a clínica freudianas, desenvolvendo novos conceitos e instaurando uma prática original de análise, da qual decorreu um grupo de formação didática diferente da do freudismo clássico.
Melanie Klein e seus sucessores fizeram escola, integrando na psicanálise o tratamento das psicoses (esquizofrenia, casos borderlines, distúrbios da personalidade ou do self), inventando o próprio princípio da psicanálise de crianças (por uma rejeição radical de qualquer pedagogia tradicional) e, por fim, transformando a interrogação freudiana sobre o lugar do pai, sobre o complexo de Édipo e sobre a gênese da neurose e da sexualidade numa investigação da relação arcaica com a mãe, numa evidenciação do ódio primitivo (inveja) e, por último, numa busca da estrutura psicótica (posição depressiva / posição esquizoparanoide), característica de todo sujeito. Assim, os kleinianos inscreveram a loucura na vida de todos os sujeitos humanos.
A história particular de Melanie também foi marcada por intensos conflitos. Em 1932, sua filha Melitta Schmideberg, casada com Walter Schmideberg, amigo da família Freud, tornou-se analista e se afastou de Melanie. A partir de 1933, Melanie Klein passou a sofrer ataques incessantes de Melitta, em público.
Além disso, alguns meses depois da chegada dos Freud a Londres, em 1939, as hostilidades com Klein irromperam efetivamente, provocando a partir daí intensas reuniões públicas para discussões teóricas. Os confrontos assumiram tal intensidade que o pediatra e psicanalista inglês Donald Winnicott (1896-1971), então partidário de Melanie, interrompeu durante a Segunda Guerra uma noite de debates para observar que um ataque aéreo estava ocorrendo e era urgente procurar abrigo – e ninguém havia se dado conta.
Nunca tendo se reconciliado com sua filha Melitta, deixando inacabada uma autobiografia, Melanie Klein morreu de câncer de cólon em Londres, a 22 de setembro de 1960, sem nada perder de seu dinamismo e combatividade intelectual até o final da vida.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Pais influenciam mais o desempenho dos alunos do que infraestrutura da escola

Estudo também descobriu que nível socioeconômico das famílias é fator de melhora nas notas dos estudantes.



Pais que se envolvem na educação dos filhos tendem a melhorar o desempenho deles. Já aqueles que supervisionam e os ajudam sempre nas tarefas escolares, tirando sua autonomia, atrapalham o rendimento dos alunos. Esta é apenas uma das descobertas do Terceiro Estudo Regional Comparativo e Explicativo (Terce), lançado pelo Escritório Regional de Educação da Unesco para a América Latina e o Caribe. O estudo também descobriu que infraestrutura da escola e localização urbana ou rural, sozinhas, não influenciam no desempenho dos seus alunos.
O Terte é aplicado em 15 países (Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana e Uruguai), além do estado de Nuevo León (México). Ele avalia o desempenho escolar no ensino fundamental em matemática, linguagem (leitura e escrita) e ciências naturais.
Além do envolvimento familiar, outros fatores que influenciam positivamente o rendimento dos alunos é a disponibilidade de material escolar, pontualidade dos professores nível socioeconômico das famílias, frequentar a pré-escola (desde os 4 anos) e as altas expectativas por parte dos pais. Por outro lado, os fatores que pioram o desempenho dos estudantes são faltar à escola e viver em regiões desfavorecidas.
Desempenho do Brasil
Os alunos brasileiros superaram a média da região em matemática (4º ano) e em leitura (7º ano). Em escrita e ciências naturais, o Brasil fica na média em relação aos outros países. Em leitura, no 4º ano, e em matemática, no 7º ano, nossos adolescentes também ficaram na média.

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Por que não sou obrigada a me associar? ABPP (Associação Brasileira de Psicopedagogia)

Olá!!

Como sabemos, infelizmente, a psicopedagogia ainda não é reconhecida como profissão e não possuímos um conselho de classe.

Então os psicopedagogos contam apenas com a ABPP (Associação Brasileira de Psicopedagogia) e o SINDPSICOPP (Sindicato dos Psicopedagogos do Brasil)



Hoje eu vou falar apenas da:


ABPP (Associação Brasileira de Psicopedagogia)

Segundo o art 5° parágrafo 20 da constituição  "Ninguém poderá ser compelido a associar-se ou permanecer associado"

Mesmo assim eu quis me associar, ou melhor, eu procurei saber quais seriam as vantagens de ser associada.

Acontece que eu vi muita gente falando que é obrigatório ser associado para exercer a função de psicopedagogo e que você precisa da carteirinha que eles te mandam, mas na verdade não é! Até porque, na carteirinha vem apenas o número do CBO e todo psicopedagogo tem direito a usar esse número, como eu já expliquei nesse post AQUI.

Quando eu vi o valor que custa para ser sócio, eu desisti. Se fosse me associar hoje, o valor seria de R$ 340,00 em uma única cota.
Até pensei em fazer um esforço, mas como os benefícios não me chamaram tanta atenção, eu desisti de novo.

Os benefícios são: Descontos nos eventos e afins, promovidos pela ABPP e o seu contato para ser incluído na lista de psicopedagogos deles, eu não me interessei tanto assim.

Enfim... A verdade é que se associar é uma escolha e não uma obrigação. Você pode sim exercer a função de psicopedagogo sem ser um sócio da ABPP.
O que mais me incomoda são as pessoas dizendo que se você quer fazer as coisas corretas você tem obrigação de se associar, acho até falta de respeito alguém falar isso, quando a lei é bem clara.

Então se você viu as regras e as vantagens e se interessou, vai lá e se associa, mas se você só fez isso porque falaram que é obrigatório, então não renove para o próximo ano, pois você não é obrigado.

Depois eu vou fazer um outro post falando do SINDPSICOPP, que também não é obrigatório ser filiado, mas que eu acho um pouco mais vantajoso. 


Se você gostou desse post, não se esqueça de deixar a sua opinião e compartilhar sua experiência comigo. Se você não concorda comigo, então deixe a sua opinião também, mas não se esqueça de ser educado. ;)





segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Psicopedagogia e empatia

Olá Psicos!


Quando comecei a trabalhar com psicopedagogia, eu não fazia ideia de quão profundo é esse Universo.

Eu espero descobrir cada vez mais sobre e aprender muito também, mas de todas as coisas que eu já tive a oportunidade de viver com a psicopedagogia, a empatia foi a mais grandiosa.



Quando encontramos alguém que vem até nós pedindo ajuda é um momento muito desafiador, mas eu percebi que só vamos mesmo querer ajudar aquela pessoa se sentirmos empatia pelo seu problema.
Sabe a arte de se colocar no lugar de outro ser, mesmo não passando pelo mesmo problema que ele? Pois é... Isso é empatia.

Então, acredito que, algo que eu posso dizer para você que escolheu trabalhar como algum tipo de terapeuta, é que sinta empatia pelo seu paciente. Compreenda a dor dele e seja sempre solicito, pois ele vê em você esperança.

Pode até parecer que eu estou romantizando a situação, mas o que eu escrevo aqui hoje é o reflexo do que passo e já passei com meus pacientes.

Então se envolvam de verdade, lógico que de forma profissional, mas não sejam frios nem apáticos com seus pacientes. Ouçam seus problemas, deixem que desabafem e se perceberem que o problema vai além de suas atribuições como psicopedagogos, os encaminhem para um profissional capacitado a lidar com a questão, mesmo que isso signifique perder o paciente. 
Porque quando você realmente se importa com o bem estar dessa pessoa, você vai perceber que não perdeu um paciente, mas sim, ajudou um outro ser humano da melhor maneira que você pode.


sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Quem se prepara sai na frente

Oi gente!!!!!!

O post de hoje é só para falar sobre uma coisinha.

 Estamos entrando em período de férias. 




Então preciso dar um recadinho para os estudantes, principalmente aos universitários e aos que vão fazer o ENEM no próximo ano.

Não encostem o caderno durante o período de férias inteiro!




Gente, eu sei que o ano acadêmico foi estressante, mas para quem quer algo na vida não dá pra passar mais de dois meses sem estudar.

Tirem umas semanas para descansar, mas peguem nos estudos.

Aos estudantes do ENEM 2016...
Saiam na frente e comecem a estudar antes de todo mundo, nem que seja em pequenas doses diárias. Procurem cursos preparatórios que funcionem em janeiro ou professores particulares, estudem pela internet, não importa como, mas estudem.

Por que estou falando isso?
Vi um monte de aluno meus, universitários e de ensino médio, felizes da vida porque as férias estão batendo a porta e sem nenhum plano de estudos até fevereiro. 


Depois eu farei um vídeo falando melhor sobre isso, mas senti que poderia fazer um post aqui para adiantar o assunto.

Se você quer ter alguma vantagem, então já está na hora de começar a se preparar.

Quem quiser ajuda é só falar, dependendo da matéria eu posso indicar alguns sites de estudos e se morar no RJ indico até professor.

É isso meus amores, sei que estudar quando está todo mundo curtindo é um saco, mas a vida exige o máximo da gente e eu quero todos os meus alunos no TOPO.

Beijosssss!










quinta-feira, 19 de novembro de 2015

E quando a escola não paga?

Sabe quando você levanta cedo para ir pro trabalho?
Enfrenta a condução, planeja aula, elabora prova, etc...

Aí chega na hora do pagamento... Onde está?

Tenho visto muitas histórias desse tipo por aí, sei que é um problema de raízes antigas e que sempre estoura na mão de um profissional... O PROFESSOR.

Agora a desculpa é que estamos em crise e que por isso muitos pais não estão pagando a escola, sendo assim, o professor não recebe.

Não estou aqui para falar de uma escola específica, mas sim para enfatizar um problema.

O aluno não pode ficar sem aula.
O mesmo pai que não paga a escola reclama quando o professor falta.
A mesma escola que não paga ao professor cobra as avaliações, horário e assiduidade.

Enfim, o professor não pode falhar com os alunos, com o compromisso com a sociedade, etc...

Mas onde está o compromisso com o professor?



PROFESSOR!  

Está trabalhando sem ser remunerado?
Então fique em casa. Nada vale esse desgaste mental e humilhação.
OBS: A menos que você já soubesse que ia ser assim ou que você faça voluntário.

Se algum professor ler esse post e quiser compartilhar deixa aí nos comentários ou manda uma e-mail para: mteixeira.psicopedagoga@gmail.com


quinta-feira, 12 de novembro de 2015

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Sobre os atrasos do ENEM


Como educadora eu quis falar um pouco sobre os atrasos dos estudantes no ENEM 2015...

Não estou aqui para falar sobre aqueles que tiveram motivos plausíveis para se atrasar, afinal, cada um sabe de si.
Mas vou falar sobre alguns casos que circularam na internet dos nossos jovens falando que não sabiam o horário da prova ou que 5 minutos não é atraso.

Vivemos em uma cultura em que ao jovem não é dada a responsabilidade do mundo real. Ele chega 15 minutos atrasado na escola e está tudo certo, afinal, a tolerância está aí para isso.
Então por que ele deveria chegar pontualmente para fazer a prova do ENEM?

Teve gente levando documento em miniatura, teve gente pulando grade e se arrastando no chão para passar antes da porta fechar...

Não preciso dizer que tudo isso é no mínimo vergonhoso, mas será que não é um reflexo da educação que estamos fornecendo para nossos jovens?

Precisamos acreditar que eles tem capacidade de assumir suas responsabilidades e deixar que lidem com as consequências...

Infelizmente... Para os que se atrasaram e perderam a prova, agora terão um atraso de 12 meses, pois outra prova só no ano que vem....

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